Poucos sentem na pele as consequências dos incêndios florestais como os municípios. A proximidade com as populações não os deixa indiferentes ao sofrimento e desolação de quem vê o fogo bater-lhe à porta. O poder local é crítico pelo papel que desempenha na liderança dos cidadãos, pela importância do planeamento regional, pela estratégia que define e que, obrigatoriamente, ajudará a moldar as gerações vindouras.
Floresta Negra é um grito que os municípios compreendem, é uma dor sentida fundo no peito de quem ama o seu território, de quem sabe ser o ambiente tão importante como a cultura.
As Câmaras Municipais que se juntaram a este movimento no primeiro momento demonstraram estar a par com o seu tempo, a par com a preservação do património natural do país, preocupadas com o futuro das crianças que crescem à sombra das árvores por elas plantadas, que brincam nos campos verdejantes dos seus concelhos. Liberdade é também preservar o que vamos herdando, mitigar as tragédias que vamos sofrendo e lutar, todos os dias, por um futuro melhor para todos.
Todos, todos, temos a obrigação de preservar a nossa floresta. Por nós, pelos nossos filhos, pela vida que nela existe, pelo respeito que todos os seres vivos obrigatoriamente merecem.
Em nome da Chappa e em meu nome pessoal orgulhosamente agradeço a participação de todos os municípios que se solidarizaram com esta causa, desde o primeiro minuto, de forma incondicional.
Precisamos de todos, sei que mais se irão juntar a nós em breve.

Câmara Municipal de Câmara de Lobos

Pedro Emanuel Abreu Coelho
Presidente da Câmara Municipal de Câmara de Lobos
A floresta, desde tempos imemoriais, sempre determinou e/ou influenciou a dispersão e distribuição das comunidades, constituindo-se como uma fonte inigualável de recursos nas respetivas práticas ou atividades agro-silvo-pastoris. De igual forma, como fonte de inspiração privilegiada, contribuiu para o imaginário e memória cultural e etnográfica coletiva dos lugares, muitas das vezes expressando e eternizando a sua importância através das artes.
Refira-se que somente nas últimas décadas é que esta visão “simplista” foi ultrapassada, tendo sido possível aferir e/ou reconhecer, através da observação empírica e da ciência, a importância das comunidades florestais na manutenção do equilíbrio ecológico, e respetivos ecossistemas; na regulação do ambiente e do clima, sobretudo do papel da vegetação (arbórea ou arbustiva) como sumidouros de dióxido de carbono; bem como a sua relevância na dinamização do tecido socioeconómico e cultural. Consequentemente, procede e contribui para o incremento do bem-estar e qualidade de vida da comunidade e, no particular, do ser humano.
Não obstante, a crescente pressão antrópica sobre os recursos naturais, como resultado do aumento expressivo da população que, aliada à ausência de uma sensibilidade ambiental na gestão efetiva dos recursos disponíveis, contribuíram para incremento dos índices de desflorestação para níveis acima da sua capacidade de regeneração e de carga das comunidades florestais. De igual forma, outras ameaças põem em causa a sua sustentabilidade ambiental, como o caso das pragas, da proliferação de espécies invasoras, das alterações climáticas ou, inclusive, dos incêndios florestais, este último com impacto direto e significativo nos ecossistemas.
Com efeito, a problemática relativa à complexidade das consequências subjacentes e/ou associadas à manifestação de incêndios florestais assume, atualmente, um impacto material incalculável e, em termos de repercussões subsequentes, uma dimensão ambiental imensurável. Especificamente, e no que concerne aos efeitos imediatos, referencia-se a combustão de grandes volumes de património natural; na formação de densas colunas de fumo, repercutindo-se na qualidade do ar; em impactos expressivos sobre os organismos vivos do solo e na fauna, bem como na estrutura pedológica dos solos; enquanto que, em termos de impactes ambientais indiretos, destaca-se a degradação da paisagem rural, os efeitos nefastos sobre a economia local e as alterações do microclima que, por sua vez, potenciam a meteorização dos afloramentos rochosos e intensificam a erosão hídrica e eólica do solo, contribuindo, subsequentemente, para o aumento da escorrência superficial e hipodérmica e, consequentemente, para o incremento da propensão da ocorrência de episódios relacionados com cheias e inundações.
Esta lamentável realidade impõe, para além de uma profunda reflexão societal, uma mudança do paradigma vigente, nas suas múltiplas dimensões ambientais e socioeconómicas, e de mentalidade e atitude em relação à floresta, com o objetivo de promover a sustentabilidade ambiental e o equilíbrio entre ecossistemas e atividades antrópicas. Com efeito, torna-se premente a proteção das comunidades florestais, através da programação, planeamento e implementação de mecanismos estruturais e não-estruturais, que contribuem para a valorização, conservação e preservação do património natural.
Neste contexto, é imperativo que a rutura com paradigma atual implique a “reconstrução” de uma consciência ambiental coletiva, relativamente à problemática dos incêndios florestais e de outras ameaças, a “reeducação” do dever cívico dos cidadãos, e, sobretudo, a consciencialização e sensibilização do regime institucional e político para a temática.

Câmara Municipal de Ponte da Barca

António Vassalo Abreu
Presidente da Câmara Municipal de Ponte da Barca
O concelho de Ponte da Barca localiza-se no Norte de Portugal, região do Minho, distrito de Viana do Castelo, atualmente constituído por 17 freguesias, sendo que cerca 76% da área do concelho de Ponte da Barca é ocupada por espaços florestais.
O concelho faz parte da Rede Mundial de Reservas da Biosfera “Reserva da Biosfera Transfronteiriça do Gerês –Xurés” e cerca de 52% da área do concelho está inserido no Parque Nacional da Peneda-Gerês. Devido ao enorme espaço florestal todos os anos o concelho é fustigado pelos incêndios florestais.
São incalculáveis os sacrifícios feitos pelas Corporações de Bombeiros, quantas foram as muitas noites de sono perdidas ou as muitas horas de dedicação desinteressada. Por isso, a grandeza dos Bombeiros Voluntários e a dimensão humana de todos os que a servem e serviram são ilimitadas.
Sendo este livro “Floresta Negra”, um tributo a todos aos Bombeiros que combatem os incêndios florestais, arriscando muitas vezes sua própria vida, o Município de Ponte da Barca não poderia deixar de participar nesta homenagem e assim sensibilizar a população para o perigo deste flagelo que todos os anos, com maior ou menor intensidade, assola todo o nosso património florestal.
O trabalho que desenvolvem é, reconhecidamente, de uma importância incalculável em benefício da comunidade. Por isso, em meu nome pessoal e da Câmara Municipal, a que tenho a honra de presidir, deixo aos Bombeiros uma calorosa manifestação do nosso reconhecimento e respeito.

Câmara Municipal de Arcos de Valdevez

João Manuel do Amaral Esteves
Presidente da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez
Arcos de Valdevez tem um vasto e rico património ambiental. O concelho está inserido no único Parque Nacional, o PNPG, único no contexto português, e integra ainda a Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurés (RBTGX) declarada em 27 de Maio de 2009, pela UNESCO o que, só por si, é indicativo da riqueza ambiental, paisagista e de biodiversidade do território e da importância que tal assume no contexto nacional e internacional, ao nível de espaço classificado e de espécies protegidas.
Com sítios assinalados na rede Natura 2000, esta paisagem é fruto da longa e preventiva simbiose entre o Homem e a Natureza.
Como resultado desta interação secular, a área dos socalcos de Sistelo foi classificada como Paisagem Cultural, a primeira classificação deste género em Portugal.
Como tal, a floresta reveste-se de enorme importância para a população e economia locais, desempenhando papéis extremamente relevantes no processo de desenvolvimento sustentável que se preconiza para o concelho. Ela é fonte de bens como madeiras, combustíveis, alimentos e matérias-primas, tem funções de proteção do solo contra a erosão, de controlo do ciclo e da qualidade da água; é a “casa” de centenas de espécies animais e vegetais e tem um elevado valor paisagístico e recreativo.
Através da grande extensão florestal do Município é possível fazer a valorização económica dos produtos locais, da agropecuária, do comércio, do turismo de natureza e consequentemente apoiar a fixação de jovens.
Através dela promovemos a nossa região, apoiamos as populações, agricultores e empresários, dinamizamos o nosso turismo e criamos emprego e rendimento. A relevância da paisagem florestal para o progresso do concelho leva-nos a executar muitas iniciativas para proteger a floresta contra o grande flagelo que são os incêndios, nomeadamente, a criação da rede primária de defesa da floresta; o apoio a várias equipas de sapadores florestais; assim como aos Bombeiros Voluntários e à Equipa de Intervenção Permanente, entre outras.
O Município e os arcuenses pugnam pela proteção do Património Florestal, por isso, a autarquia apoia o movimento “Floresta Negra”, homenageando desta forma todas as entidades que combatem os incêndios florestais, reconhecendo a sua competência e empenhamento colocados em prol do desígnio nacional que é reduzir o flagelo dos incêndios florestais.

Câmara Municipal de Ovar

Salvador Malheiro
Presidente da Câmara Municipal de Ovar
A Câmara Municipal de Ovar, associa-se ao projeto “Floresta Negra” do prestigiado fotógrafo John Gallo, que nos propõe sentir a crueldade e o incomodativo silêncio da floresta queimada, comprometendo-nos, revoltadamente, na forma como pensamos a prevenção. O seu trabalho evoca de forma ambígua, a beleza melancólica da natureza morta e a devastação implacável e furiosa do fogo. Remete-nos para a memória visual dos esforços heroicos de todos os bombeiros e demais equipas que combatem a mais séria ameaça à resiliência humana e natural. Juntamo-nos, solidariamente, a todos os Concelhos do Distrito de Aveiro assolados em 2016 pelos fogos florestais e continuaremos a apoiar e a lutar nas mais diferentes formas, pela sensibilização ativa da população, para a preservação da natureza e para a vigília permanente da nossa floresta.

Câmara Municipal de Machico

Ricardo Miguel Nunes Franco
Presidente da Câmara Municipal de Machico
Ano após ano a floresta Portuguesa sofre rudes golpes e os números não deixam margens para dúvidas: metade dos incêndios florestais que acontecem na União Europeia, ocorrem em território português. Algo tem, pois, que mudar.
É necessário mudar a relação que temos enquanto cidadãos e entidades para com a floresta, no sentido de evitar o inferno anual dos incêndios florestais, que constantemente transformam num manto negro o nosso património natural.
No que toca à Madeira, nos anos mais recentes, o território tem sido vítima deste flagelo, que ultrapassa as nossas fronteiras através de imagens que estávamos habituados apenas a receber, através dos meios de comunicação social que nos reportavam os acontecimentos em território nacional. Hoje, mais do que ver na televisão, vemo-los do outro lado da janela, junto das nossas populações e habitações.
Os acontecimentos recentes que abalaram a Região Autónoma da Madeira, com os fogos nos municípios do Funchal e da Calheta, são a certeza que este tipo de ações como a “Floresta Negra” têm necessariamente de existir e contar com o apoio de todos os intervenientes e agentes com responsabilidades na gestão do território e floresta.
Nos últimos anos, no município de Machico, temos trabalhado para evitar que os Incêndios tomem conta da nossa bela paisagem natural. Infelizmente e apesar de todo o trabalho na vertente da sensibilização e mitigação de riscos, não se consegue impedir a ocorrência de fogos florestais, como pudemos comprovar no Natal de 2015. Em pleno mês de Dezembro, com condições meteorológicas atípicas para a época e outros fatores externos ao meio natural, uma parte considerável da floresta Laurissilva de Machico foi afetada num fogo que atingiu as freguesias de Santo António da Serra e Porto da Cruz.
O empenho da Autarquia deve incidir sobre a sensibilização à população ao contacto direto, à formação e à própria reorganização de toda a Proteção Civil municipal, no sentido de melhor nos prepararmos e formarmos para a atuação neste campo específico.
Hoje o município conta com a sua estrutura municipal de Proteção Civil completamente organizada e estruturada, com resultados práticos alcançados e amplamente satisfatórios, sendo um município que integra o Plano Operacional de Combate a Incêndios Florestais.
Em suma, entendemos que o foco deverá incidir na sensibilização e formação das populações face a todas as variáveis que poderão levar a esta catastrofe dos Incêndios florestais, devendo-se trabalhar e agir localmente para que se atinga resultados satisfatórios nas freguesias, municipios, regiões e por fim que se obtenha, a uma escala nacional, uma cultura de respeito pela preservação da floresta, património de todos nós.

Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis

Dr. António Isidro Marques Figueiredo
Presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis
A floresta constitui um recurso natural importante, quer do ponto de vista da preservação do equilíbrio ecológico, quer do ponto de vista do aproveitamento económico, tornando-se imprescindível a definição e adoção de medidas que permitam a sua melhor preservação e rentabilidade.
No Município de Oliveira de Azeméis, as áreas com ocupação florestal representam cerca de 60% do território, sendo estes espaços de extrema importância para a proteção do solo, recursos hídricos e manutenção da fauna e flora. Contudo, os incêndios florestais têm dizimado extensas áreas, sendo uma questão extremamente preocupante e que se tem vindo a agravar nas últimas décadas. Assim, consideramos que o desenvolvimento integrado e sustentado deste setor está diretamente dependente do reconhecimento da sua importância (ao nível ambiental, económico e sociocultural), do reforço e melhoria das relações e capacidade de resposta dos vários agentes desta fileira, bem como da sensibilização da população, através da criação de uma consciência ecológica fundamental para a preservação e proteção dos ecossistemas florestais e dos serviços por eles desempenhados.
A preservação e proteção dos espaços rurais municipais, bem como da população residente, é pois uma prioridade para este Município, pelo que a adesão a iniciativas como o Projeto Floresta Negra insere-se numa estratégia de sensibilização da população para a minimização de comportamentos de risco nos espaços rurais, realçando o valor deste património, quer económico e quer ambiental.

Câmara Municipal de Arouca

Margarida Belém
Vice-presidente da Câmara Municipal de Arouca
Quando, no verão passado, olhávamos, impotentes e incrédulos, para a evolução descontrolada das chamas, começávamos a ter noção de que, pelo menos naquele momento, o fogo iria levar a melhor. Mas apenas naquele momento. Desde a primeira hora que procurámos, no limite das nossas possibilidades, atender a todas as consequências de um fogo que parecia teimar em não se deixar controlar.
Em meados de agosto, confirmávamos o nosso pior prognóstico, com quase metade do nosso mapa pintado de negro, e uma imensa área de pastoreio completamente consumida pelas chamas, o que causou, entre outros constrangimentos, um impacto tremendo sobre a sustentabilidade da Raça Arouquesa.
De imediato nos mobilizámos, todos os arouquenses, sem exceção, para renascermos das cinzas, como uma Fénix. A onda de solidariedade atingiu proporções gigantescas, e o nosso olhar para o futuro, esse olhar que sempre nos norteou, saiu com a determinação reforçada. Não nos resignámos, antes unimos esforços e partimos para a ação no terreno.
Arouca é um município com uma imensa mancha florestal, com parte significativa do seu território pertencente à Rede Natura 2000 e uma estratégia de desenvolvimento sustentável, integradora dos vários aspetos distintivos da sua identidade, ancorada no Arouca UNESCO Global Geopark, classificação da UNESCO que abrange o vastíssimo património patente em todo o município.
Hoje, já vão sendo visíveis alguns resultados desse trabalho de recuperação. Sucedem-se as ações de reflorestação. Estamos a recuperar as infraestruturas de cariz interpretativo e turístico afetadas. A natureza tratou de regenerar-se, como tão bem nos ensina constantemente. Nós apenas seguimos o seu melhor exemplo.

Câmara Municipal de Vale de Cambra

José Pinheiro
Presidente da Câmara Municipal de Vale de Cambra
Vale de Cambra é um concelho com quase 148 Km2 que se estende por entre vales e serras, onde a natureza é rainha, foi aqui que um dia Ferreira de Castro, contemplando as luxuriosas paisagens, se inspirou para com os seus escritos, fazer a apologia desta deslumbrante terra, deste magnifico povo, que todos os dias se inspira na paisagem, no ar leve e puro e nas suas cristalinas águas, que sussurrando, descem encosta abaixo, até se encontrarem suavemente, com outras que, calmamente as acolhem no Vale do Rio Vouga.
A vasta área de floresta, cerca de 75% do nosso território, ocupada maioritariamente por povoamentos de Pinheiro Bravo e Eucalipto e por espécies autóctones das quais importa referir o castanheiro, o carvalho, o medronheiro e o azevinho espontâneo que ainda podem ser encontrados em bosquetes que rendilham a paisagem das nossas serranias.
Os incêndios florestais que ano após ano assolam Vale de Cambra, têm contribuído para a delapidação do património florestal, para o abandono da floresta e desertificação do meio rural.
O Ano 2016 foi um ano negro, em apenas cinco dias, num verdadeiro cenário dantesco, arderam cerca de 35% de toda a nossa floresta.
É da mais elementar justiça fazer um público e reconhecido agradecimento a todos aqueles que de uma ou de outra forma deram o seu importante contributo no combate aos Fogos Florestais.
Aos Bombeiros Voluntários de Vale de Cambra e a todas as corporações que de norte a sul connosco estiveram, um profundo e sentido reconhecimento, que se estende a todos os outros agentes nomeadamente,ANPC, Sapadores Florestais, GIPS/GNR e a toda a população que foi incansável na ajuda.